Informações ao público leigo
DC de Neuroimunologia da ABN
O que é a esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória, que afeta a capa de mielina responsável pela condução nervosa, reconhecida como a substância branca do sistema nervoso. A doença se caracteriza por um acometimento em diferentes partes do cérebro de da medula espinal e também em diferentes momentos, e assim é denominada de disseminação no tempo e no espaço, condição pela qual se estabelece o diagnóstico definitivo. Os sinais e sintomas não podem ser explicados por uma única lesão e o seu curso clínico é caracterizado mais frequentemente por surtos, seguidos de períodos de remissões.
Não é uma doença fatal e muitos pacientes levam uma vida normal. Porém a presença de novos sintomas e a somatória de antigos sintomas, além da evolução incerta, pode interferir de varias maneiras na vida do paciente.Apesar de existirem muitas dúvidas sobre a origem da esclerose múltipla, muito já se sabe sobre a imunologia da doença, o que tem possibilitado a descobertade medicamentos que controlam sua evolução e com certeza em breve, o seu completo domínio.
Paulo Diniz da Gama
Professor de Neurologia da Faculdade de Medicinada PUC-SP - campus Sorocaba
Responsável pelo Centro de Referência para o Tratamento da Esclerose Múltipla do Conjunto Hospitalar de Sorocaba
inst.cerebro@globo.com
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Todas as doenças que têm esclerose são iguais?
Dr. Rogério de Rizo Morales
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
Mestre em Ciências da Saúde pela Universidade Federal de Uberlândia
Neurologista da Universidade Federal de Uberlândia
Membro do Comitê Brasileiro de Tratamento e Pesquisa em Esclerose Múltipla - BCTRIMS
rogerio.morales@uol.com.br
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O que provoca a esclerose múltipla?
Fatores ambientais têm grande importância, embora não se saiba se apenas no desencadeamento da doença ou diretamente na própria causa da EM. Dentre os fatores ambientais significativos podem estar incluídas infecções (como pelo herpesvírus tipo 6, pelo vírus Epstein-Barr, pelo retrovírus endógeno humano (HERV) e pela Chlamydia pneumoniae); a falta de exposição a luz solar com conseqüente menor produção de vitamina D pelo organismo, e a menor exposição a bactérias e parasitas durante a infância,levando a alteração na maturação do sistema imunológico. Recentemente foi demonstrado que o tabagismo pode também estar implicado no maior risco de desenvolvimento da doença.
Marco Aurélio Lana Peixoto
Professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da UFMG.
Diretor-Presidente do CIEM - Centro de Investigação em Esclerose Múltipla de Minas Gerais.
lanapma@uol.com.br
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Quais são os sintomas da doença?
Os sintomas motores também são muito freqüente, perda de força localizada em braço, perna isoladamente ou como hemiparesia (perda de força em um lado do corpo) ou tetraparesia (perda de força nos braços e pernas) ou paraparesia crural (perda de força das duas pernas) frequentemente podem ocorrer. Estes sintomas geralmente iniciam gradualmente e persistem por mais de 24 horas e podem aumentar de intensidade, ficar estáveis ou melhorarem de forma espontânea.
O quarto sintoma mais freqüente são os cerebelares e de tronco cerebral. Como o cerebelo comanda a coordenação dos movimentos, aparece o tremor grosseiro, a incoordenação, ou seja, andar como se estivesse “bêbedo”, e dificuldade de levar objetos em um alvo específico, como por exemplo, o garfo na boca para se alimentar. Em relação ao tronco cerebral os principais sintomas são a vertigem (labirintite), que é uma sensação da cabeça rodar ou todo corpo, com náuseas (sensação de quere vomitar) ou mesmo vômitos e também muitas vezes a visão dupla.
Existe um sinal que não é muito freqüente, denominado sinal de Lhermitte, que é uma sensação de choque que percorre a medula (espinha) quando se encurva a cabeça para frente. Este sinal quando presente é muito sugestivo da Esclerose Múltipla.
Outros sintomas mais raros incluem neuralgia do trigêmio (dor a mastigação de caráter intenso e agudo) e também pontos dolorosos na face. Paralisia facial, sem história de infecção viral e/ou choque de temperatura. Alterações do controle de urina (urina solta ou presa) são comuns na evolução da doença,bem como obstipação intestinal (intestino preso).
Denise Sisterolli Diniz
Profa. de Neurologia da Universidade Federal de Goiás.
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
dsd@brturbo.com.br
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Porque demorou tanto para descobrirem a minha doença? Como se faz o diagnóstico?
A esclerose múltipla é um diagnóstico para toda uma vida, com importantes implicações e o compromisso com o tratamento contínuo. A certeza deste diagnóstico entretanto esbarra numa dificuldade metodológica: não há um marcador biológico, um exame específico que defina esta doença. Seu diagnóstico se baseia sim, na leitura de um conjunto de informações obtidas a partir de dados da história clínica, do exame neurológico do paciente e de exames complementares, tais como a imagem por ressonância magnética e o estudo do líquido cefalorraquidiano.
Historicamente, os critérios para o diagnóstico da EM se desenvolveram a partir da idéia da disseminação temporal e espacial da doença, ou seja, o comprometimento inflamatório do sistema nervoso central em diferentes topografias e em momentos distintos. Estes critérios diagnósticos exigem do neurologista a busca de pelo menos duas lesões e dois surtos clínicos, e enfatizam a necessidade de uma extensa e especializada investigação para que outras doenças sejam descartadas.
Há uma busca constante da maior precocidade diagnóstica, o que possibilita um tratamento também mais precoce, chave para seu sucesso. Por esta razão, a partir de 2001, achados de imagem por ressonância magnética passaram a se incorporar a estes critérios, permitindo o diagnóstico mesmo em pacientes após um primeiro surto clínico, na presença de lesões clinicamente silenciosas, desde que sugestivas de desmielinização.
Por estes motivos, muito embora a natural expectativa por parte do paciente e
de sua família, justificam-se os cuidados do especialista quanto ao adequado
rastreamento diagnóstico.
Fernando Figueira
Chefe do Serviço de Neurologia do Hospital da Penitencia, Rio de Janeiro.
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
ffigueira.net@ffigueira.net
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Existem outras doenças que se parecem com a esclerose múltipla?
Assim, poderíamos listar uma infinidade de sintomas neurológicos que podem confundir o paciente ou o médico. O neurologista experiente procurará descartar outras doenças, antes de fechar o diagnóstico definitivo. Para isto, solicitará exames de sangue, do líquor (líquido da espinha) e de ressonância magnética, dentre outros.
Fernando Coronetti Gomes Rocha
Professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da UNESP Botucatu
fcoronetti@uol.com.br
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Todos os pacientes com esclerose múltipla evoluem da mesma forma?
No que diz respeito à evolução da doença esta visão ainda se torna mais evidente.
Não podemos prever como poderá evoluir os sintomas e a incapacidade de um determinado paciente após o seu diagnóstico, e ainda não foi determinado se um estudo de imagem ou análise laboratorial no sangue ou no líquor poderá nos dar essa informação. Muito esta sendo estudado e possivelmente teremos alguma resposta em um futuro próximo.
Paulo Diniz da Gama
Professor de Neurologia da Faculdade de Medicina da PUC-SP campus Sorocaba
Responsável pelo Centro de Referência para o Tratamento da Esclerose Múltipla
do Conjunto Hospitalar de Sorocaba
inst.cerebro@globo.com
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Todos têm chances iguais de desenvolver a doença?
Leandro Cortoni Calia
Neurologista, Mestre e Doutor pela UNIFESP-EPM
Professor Titular da Universidade Santo Amaro -UNISA.
leandrocalia@terra.com.br
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Em sendo portador, quais são as chances dos filhos desenvolverem a doença?
Yara Dadalti Fragoso
Professora Titular de Neurologia - UNIMES
Coordenadora do CEREM Litoral Paulista
yara@bsnet.com.br
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Como reconhecer um surto?
Usualmente, os pacientes recém diagnosticados, tendem a considerar cada nova sensação como um novo surto e o reaparecimento de queixas prévias os assustam muito. As flutuações que ocorrem ao longo do dia, com períodos de piora das manifestações neurológicas, embora sejam desconfortáveis não caracterizam um novo surto. Existem vários fatores que podem causar o reaparecimento destes sintomas, como infecções e
atividades que causem o aumento da temperatura do corpo, como os exercícios físicos, ambientes muito quentes, fadigabilidade, entre outros.É importante que na presença de uma queixa neurológica que dure mais de 24 horas, seja ela nova ou a piora de um sintoma pré-existente, o paciente entre em contato com o neurologista para que a suspeita seja ou não confirmada. Começar o tratamento precocemente é fundamental para prevenir a instalação de seqüelas neurológicas.
Maria Fernanda Mendes
Professora Doutoura Assistente da Disciplina de Neurologia da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.
mendesnovo@uol.com.br
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Todos os surtos devem ser tratados?
Luiz Domingos Mendes Melges
Professor da Faculdade de Medicina de Marília (FAMEMA)
Responsável pelo Centro de Referência em Esclerose Múltipla de Marília e Região.
lmelges.neuro@terra.com.br
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A esclerose múltipla tem cura? Qual é o tratamento?
A esclerose múltipla é uma doença crônica, assim como a hipertensão arterial,o diabetes e a asma. Todas essas doenças crônicas possuem tratamento, mas ainda não têm cura. O tratamento da esclerose múltipla é dividido em trêspartes:
1ª)Tratamento das recorrências (“surtos”): durante os episódios recentes de fraqueza em braço e/ou perna, diminuição da visão, incoordenação, visão dupla ou outros tipos de manifestações características da esclerose múltipla, o médico utiliza medicamentos à base de corticóides (“cortisona”). Isso pode ser feito por administração da medicação pela veia (chamada de pulsoterapia) ou,alternativamente, pela administração de comprimidos por via oral. Esse tipo de tratamento deve sempre ser prescrito pelo médico neurologista e jamais deve ser administrado por automedicação.
2ª)Tratamento da fase de manutenção: uma vez passada a fase aguda descrita
acima, o médico neurologista irá optar pela prescrição de uma medicação
chamada imunomoduladora, que tem a função de diminuir a chance do sistema
de defesa voltar a agredir a substância branca (mielina) do sistema nervoso
central. Todas as medicações imunomoduladoras disponíveis atualmente são
injetáveis. São elas os interferons beta e o acetato de glatirâmer. A escolha da
medicação mais adequada depende da avaliação do neurologista e é feita caso
a caso.
Existe outra classe de medicamento – os imunossupressores – que pode ser
prescrita pelo médico em casos particulares. Pacientes que possuem a forma
primariamente progressiva ou secundariamente progressiva da doença
raramente se beneficiam dos imunomoduladores. Também existem pacientes
com esclerose múltipla recorrente-remitente que acabam não respondendo aos
imunomoduladores. Nesses casos, o uso dos imunossupressores (azatioprina,
metotrexate, ciclofosfamida e mitoxantrone) é a regra.
3ª) Tratamento sintomático: baseia-se na utilização de medicamentos para o
alívio de sintomas que podem vir a ocorrer na esclerose múltipla. Esses
medicamentos são prescritos para a diminuição da fadiga, da espasticidade
(pernas e/ou braços rígidos e duros), de dores, alterações urinárias, da libido e
do humor, dentre outras.
Lembre-se: o tratamento da esclerose múltipla deve sempre ser prescrito por
um médico neurologista habituado a tratar de portadores dessa doença.
Tarso Adoni
Médico Neurologista do Ambulatório de Doenças Desmielinizantes do HCFMUSP.
Membro Titular da Academia Brasileira de Neurologia
tarso@dfvneuro.com.br
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O transplante de células-tronco pode me beneficiar?
Marcos Moreira
Diretor Clínico do Centro de Tratamento e Investigação da Esclerose Múltipla de Minas Gerais (CIEM) do Hospital das Clínicas da UFMG
Coordenador do DC de Neuroimunologia da Academia Brasileira de Neurologia
drmarcosmoreira@uol.com.br
Os textos acima foram, extraido do sitio da ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA
http://www.cadastro.abneuro.org/site/default.asp
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