terça-feira, 13 de setembro de 2016

Esclareça agora! 6 dúvidas frequentes sobre a atrofia cerebral na esclerose múltipla

Esclareça agora! 6 dúvidas frequentes sobre a atrofia cerebral na esclerose múltipla


1. O QUE É A ATROFIA CEREBRAL?
atrofia cerebral significa perda de volume cerebral (tecido), em outras palavras, a diminuição do tamanho do cérebro. Na verdade, este é um processo natural do envelhecimento, pelo qual toda pessoa passa ao longo da vida.1 O problema é que as pessoas com esclerose múltipla têm essa perda acelerada (de 3 a 5 vezes mais rápida),2-4 e numa idade precoce, já que a esclerose múltipla é principalmente diagnostica em adultos jovens, com idade entre 20 e 40 anos.5
Infelizmente, uma vez perdido, o volume do cérebro não pode ser recuperado. Por isso, um dos objetivos do tratamento para a esclerose múltipla é barrar a degeneração ou atrofia acelerada do cérebro.6
A atrofia cerebral ocorre desde muito cedo em pacientes com a doença, ou seja, eles passarão o resto da vida perdendo neurônios de forma acelerada se nada for feito para frear o processo”.
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense, em entrevista para o Jornal Correio Braziliense – CRM RJ 607376
2. PORQUE BARRAR A ATROFIA CEREBRAL NAS PESSOAS COM ESCLEROSE MÚLTIPLA É TÃO IMPORTANTE?
Já se sabe que a atrofia cerebral, em longo prazo, está relacionada e pode predizer a incapacidade física e cognitiva de uma pessoa com esclerose múltipla. Por isso, barrar a atrofia cerebral pode trazer impacto positivo em barrar também os danos físicos e cognitivos causados pela doença.6

·         Incapacidade física: quanto maior a perda de volume cerebral, maior tende a ser o grau de incapacidade da pessoa com esclerose múltipla. Nesse caso, a incapacidade pode significar dificuldades para andar, falar, perda acentuada de força muscular e muita fadiga.
·         Prejuízo cognitivo: como dificuldade para se concentrar, perda de memória, dificuldade para realizar tarefas simultâneas ou para fazer atividades mais elaboradas.6
3. COMO É POSSÍVEL MEDIR E AVALIAR A ATROFIA CEREBRAL?
Os médicos são capazes de avaliar a atrofia cerebral através da ressonância magnética, por meio de suas imagens especiais. Esse exame consegue calcular o volume do encéfalo e a localização das lesões ocasionadas pela esclerose múltipla.7
As lesões causadas pela esclerose múltipla são identificadas com facilidade, porque no lugar onde deveria aparecer tecido cerebral normal, a ressonância magnética revela a presença de um tecido anormal “cicatricial”.
Na esclerose múltipla, a perda de volume cerebral é de três a cinco vezes mais rápida que nas pessoas que não têm a doença.2,4 O médico identifica a velocidade da perda de volume cerebral comparando os exames atuais do paciente com os realizados anteriormente.
4. O QUE SÃO IMAGENS DE RESSONÂNCIA MAGNÉTICA?
ressonância magnética é um exame seguro e indolor para o paciente com atrofia cerebral. No entanto, pode ser incômodo. Isso porque o paciente deita numa cama e é inserido no equipamento de ressonância – que é um grande tubo, aberto nas duas extremidades.
Os ruídos são altos, então é preciso usar fones de ouvido. Mas o técnico de radiografia, responsável por realizar o exame de ressonância magnética, consegue ver o paciente e se comunicar com ele o tempo todo. O procedimento leva em média 30 minutos.
Além disso, para uma melhor análise das imagens, é necessário que o paciente receba na veia uma substância chamada de GADOLÍNIO durante a realização do exame. O gadolínio é um contraste que possui um risco mínimo de reações alérgicas.
5. O TRATAMENTO PARA ESCLEROSE MÚLTIPLA PODE PREVENIR OU BARRAR A ATROFIA CEREBRAL?
Felizmente, há muitas pesquisas na área sendo conduzidas para entender como ocorre a atrofia cerebral, as consequências desse processo e também como barrar a perda acelerada de massa cerebral.
“A perda de volume cerebral está intimamente relacionada à incapacidade física e mental na esclerose múltipla. Isso quer dizer que, quanto mais o cérebro é atrofiado, mais a pessoa vai ter limitações de movimentos e intelectuais”
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense – CRM RJ 607376
6. ALÉM DA ATROFIA CEREBRAL, QUAIS SÃO AS OUTRAS MEDIDAS QUE DEVEM SER CONSIDERADAS PARA AVALIAR A ATIVIDADE DA ESCLEROSE MÚLTIPLA?
Usualmente, os médicos examinavam três métricas para avaliar a atividade da doença na esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR): surtos,8 lesões nas imagens de ressonância magnética (IRM)7 e a progressão da incapacidade.8
Estudos recentes reforçam a importância de acrescentar a atrofia cerebral como uma quarta métrica, já que ela permite uma visão mais completa da atividade da doença nos pacientes, além da resposta deles ao tratamento, o que é fundamental para identificar a abordagem terapêutica mais adequada.1,4,6
Quando essas quatro métricas são efetivamente impactadas pelo tratamento, é dito que os pacientes alcançaram o status de ‘nenhuma evidência de atividade da doença’ (NEDA-4, em inglês ‘no evidence of disease activity’).10

Referências
1. Miller DH, Barkhof F, Frank JA, Parker GJ, Thompson AJ. Measurement of atrophy in multiple sclerosis: pathological basis, methodological aspects and clinical relevance. Brain. 2002 Aug;125(Pt 8):1676–95. Review.
2. Hedman AM et al. Human Brain Changes Across the Life Span: a review of 56 longitudinal magnetic resonance imaging studies. Human Brain Mapping 2012; 33: 1987-220.
3. Barkhof F et al. Imaging outcomes for neuroprotection and repair in multiple sclerosis trials. Nat Rev Neurol. 2009;5(5):256-266.
4. Bermel RA & Bakshi R. The measurement and clinical relevance of brain atrophy in multiple sclerosis. Lancet Neurol. 2006;5(2):158-170.
5. European Multiple Sclerosis Platform. MS – Fact Sheet 2011. Disponível em:
http://www.emsp.org/projects/ms-id/160-ms-barometer-2011. Último acesso em maio de 2012.
6. Popescu V. et al; on behalf of the MAGNIMS Study Group. Brain atrophy and lesion load predict long term disability in multiple sclerosis. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2013 Mar 23.
7. Sormani M.P. & Bruzzi P. MRI lesions as a surrogate for relapses in multiple sclerosis: a meta-analysis of randomised trials. Lancet Neurol. 2013 Jul;12(7):669-76.
8. Lublin F.D., Baier M., Cutter G. E ect of relapses on development of residual de¬cit in multiple sclerosis.
9. Neurology. 2003;61(11):1528-1532.Site da National MS Society. Disponível emhttp://www.nationalmssociety.org/Symptoms-Diagnosis/MS-Symptoms/. Último acesso em março de 2015.
10. Site Neurology.org. Disponível em 
http://www.neurology.org/content/84/14_Supplement/P3.277. Último acesso em 14 de julho de 2015.

A importância da fisioterapia para esclerose multipla

A importância da fisioterapia para esclerose múltipla

A fisioterapia é uma grande aliada no tratamento do paciente com esclerose múltipla. Ela é normalmente indicada pelo médico a pessoas que apresentam sintomas como alteração motora e/ou dificuldades de equilíbrio, por exemplo. Por meio de exercícios apropriados, há melhora do quadro e das funções dos pacientes com esclerose múltipla, além de um preparo mais adequado para surtos inesperados.
O profissional mais indicado para tratar o paciente com esclerose múltipla é o fisioterapeuta especializado em neurologia, de preferência que tenha um bom conhecimento em esclerose múltipla.


Trabalhando com esclerose múltipla

Além de controlar os surtos da esclerose múltipla e permitir a menor perda de massa cerebral e assim a atrofia cerebral, um dos objetivos prioritários do tratamento multidisciplinar para esclerose múltipla é promover a qualidade de vida do paciente com esclerose múltipla.
Na prática, o controle da esclerose múltipla possibilita ao paciente viver melhor, com atividades profissionais, esportivas, recreativas, além de uma rotina mais tranquila, com bom sono, alimentação e vida sexual ativa.
No passado, ter uma vida ativa e com autonomia era quase impensável para pacientes com esclerose múltipla, já que se trata de uma doença crônica e degenerativa, que atinge pessoas jovens, entre 20 e 40 anos.1 Hoje em dia, com os significativos avanços da medicina, do tratamento multidisciplinar e as terapias medicamentosas, é possível que o paciente com esclerose múltipla possa viver com qualidade de vida.
Apesar dos avanços, pacientes com esclerose múltipla ainda sentem desafios no mercado de trabalho, por exemplo. Muitos relatam baixa empregabilidade e cerca de 75% dos pacientes dizem que tiveram sua vida profissional afetada pela doença.2
Os sintomas da esclerose múltipla que podem afetar o trabalho são:
·         dificuldades motoras;
·         perda de sensibilidade/tato;
·         depressão;
·         incontinência urinária;
·         problemas na fala;
·         alterações na visão;
·         fadiga severa.
Investimentos em ações de adequação e sensibilização por parte das empresas podem garantir que profissionais com esclerose múltipla continuem a trabalhar e prosperar. Alguns passos que podem contribuir para isso são:
·         Flexibilidade de horário de trabalho;
·         Possibilidade de pausas regulares;
·         Tarefas variadas;
·         Liberdade para tirar as férias anuais quando desejado;
·         Existência de um plano de desenvolvimento de carreira;
·         Adequação entre habilidades, limitações e a função desempenhada;
·         Garantia de confidencialidade de informações sensíveis e particulares.
@Work com EM: A Novartis criou uma ferramenta de simulação online, que sensibiliza e desafia as pessoas a realizar tarefas cotidianas do trabalho, vivenciando alguns dos sintomas comuns da esclerose múltipla:http://www.atworkwithms.com. Deficiência visual, distúrbio motor e problemas de mobilidade são algumas das simulações existentes. O teste está disponível somente em inglês.



Referências
1. European Multiple Sclerosis Platform. MS – Fact Sheet 2011.
Disponível em:http://www.emsp.org/projects/ms-id/160-ms-barometer-2011. Último acesso em maio de 2012.
2. Green G et al. Biographical disruption associated with Multiple Sclerosis. SocSci Med 2007;65:524–35.