Esclareça
agora! 6 dúvidas frequentes sobre a atrofia cerebral na esclerose múltipla
1. O QUE É A ATROFIA CEREBRAL?
A atrofia cerebral significa perda
de volume cerebral (tecido), em outras palavras, a diminuição do
tamanho do cérebro. Na verdade, este é um processo natural do envelhecimento, pelo
qual toda pessoa passa ao longo da vida.1 O problema é que as pessoas
com esclerose múltipla têm essa perda acelerada (de 3
a 5 vezes mais rápida),2-4 e numa idade precoce, já
que a esclerose múltipla é principalmente diagnostica em adultos jovens, com
idade entre 20 e 40 anos.5
Infelizmente, uma vez perdido,
o volume do cérebro não pode ser recuperado. Por
isso, um dos objetivos do tratamento para a esclerose múltipla é barrar a
degeneração ou atrofia acelerada do cérebro.6
“A atrofia cerebral ocorre
desde muito cedo em pacientes com a doença, ou seja, eles passarão o resto da
vida perdendo neurônios de forma acelerada se nada for feito para frear o
processo”.
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense, em entrevista para o Jornal Correio Braziliense – CRM RJ 607376
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense, em entrevista para o Jornal Correio Braziliense – CRM RJ 607376
2. PORQUE BARRAR A ATROFIA CEREBRAL NAS
PESSOAS COM ESCLEROSE MÚLTIPLA É TÃO IMPORTANTE?
Já se sabe que a atrofia cerebral, em longo prazo, está relacionada e
pode predizer a incapacidade física e cognitiva de uma pessoa com esclerose múltipla. Por isso, barrar a atrofia cerebral
pode trazer impacto positivo em barrar também os danos físicos e cognitivos
causados pela doença.6
·
Incapacidade
física: quanto
maior a perda de volume cerebral, maior tende a ser o grau de
incapacidade da pessoa com esclerose múltipla.
Nesse caso, a incapacidade pode significar dificuldades para andar, falar,
perda acentuada de força muscular e muita fadiga.
·
Prejuízo
cognitivo: como dificuldade para se concentrar, perda de memória, dificuldade
para realizar tarefas simultâneas ou para fazer atividades mais elaboradas.6
3. COMO É POSSÍVEL MEDIR E AVALIAR A
ATROFIA CEREBRAL?
Os médicos são capazes de avaliar
a atrofia cerebral através da ressonância magnética, por meio
de suas imagens especiais. Esse exame consegue calcular o volume do encéfalo e
a localização das lesões ocasionadas pela esclerose múltipla.7
As lesões causadas pela esclerose múltipla são identificadas com
facilidade, porque no lugar onde deveria aparecer tecido cerebral normal,
a ressonância magnética revela a presença de um
tecido anormal “cicatricial”.
Na esclerose múltipla,
a perda de volume cerebral é de três a cinco vezes
mais rápida que nas pessoas que não têm a doença.2,4 O médico identifica a
velocidade da perda de volume cerebral comparando os exames atuais do paciente
com os realizados anteriormente.
4. O QUE SÃO IMAGENS DE RESSONÂNCIA
MAGNÉTICA?
A ressonância magnética é
um exame seguro e indolor para o paciente com atrofia cerebral. No
entanto, pode ser incômodo. Isso porque o paciente deita numa cama e é inserido
no equipamento de ressonância – que é um grande tubo, aberto nas duas
extremidades.
Os ruídos são altos, então é preciso
usar fones de ouvido. Mas o técnico de radiografia, responsável por realizar o
exame de ressonância magnética, consegue ver o paciente e se
comunicar com ele o tempo todo. O procedimento leva em média 30 minutos.
Além disso, para uma melhor análise
das imagens, é necessário que o paciente receba na veia uma substância chamada
de GADOLÍNIO durante a realização do exame. O gadolínio é um contraste que
possui um risco mínimo de reações alérgicas.
5. O TRATAMENTO PARA ESCLEROSE MÚLTIPLA
PODE PREVENIR OU BARRAR A ATROFIA CEREBRAL?
Felizmente, há muitas pesquisas na
área sendo conduzidas para entender como ocorre a atrofia cerebral, as consequências desse processo e
também como barrar a perda acelerada de massa cerebral.
“A perda de volume cerebral está
intimamente relacionada à incapacidade física e mental na esclerose múltipla.
Isso quer dizer que, quanto mais o cérebro é atrofiado, mais a pessoa vai ter
limitações de movimentos e intelectuais”
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense – CRM RJ 607376
André Matta, neurologista, professor da Universidade Federal Fluminense – CRM RJ 607376
6. ALÉM DA ATROFIA CEREBRAL, QUAIS SÃO
AS OUTRAS MEDIDAS QUE DEVEM SER CONSIDERADAS PARA AVALIAR A ATIVIDADE DA
ESCLEROSE MÚLTIPLA?
Usualmente, os médicos examinavam
três métricas para avaliar a atividade da doença na esclerose múltipla remitente-recorrente (EMRR): surtos,8 lesões nas imagens de ressonância magnética (IRM)7 e a progressão da incapacidade.8
Estudos recentes reforçam a
importância de acrescentar a atrofia cerebral como
uma quarta métrica, já que ela permite uma visão mais completa da atividade da
doença nos pacientes, além da resposta deles ao tratamento, o que é fundamental
para identificar a abordagem terapêutica mais adequada.1,4,6
Quando essas quatro métricas são
efetivamente impactadas pelo tratamento, é dito que os pacientes alcançaram o
status de ‘nenhuma evidência de atividade da doença’ (NEDA-4, em inglês ‘no
evidence of disease activity’).10
Referências
1. Miller DH, Barkhof F, Frank JA, Parker GJ, Thompson AJ. Measurement of atrophy in multiple sclerosis: pathological basis, methodological aspects and clinical relevance. Brain. 2002 Aug;125(Pt 8):1676–95. Review.
2. Hedman AM et al. Human Brain Changes Across the Life Span: a review of 56 longitudinal magnetic resonance imaging studies. Human Brain Mapping 2012; 33: 1987-220.
3. Barkhof F et al. Imaging outcomes for neuroprotection and repair in multiple sclerosis trials. Nat Rev Neurol. 2009;5(5):256-266.
4. Bermel RA & Bakshi R. The measurement and clinical relevance of brain atrophy in multiple sclerosis. Lancet Neurol. 2006;5(2):158-170.
5. European Multiple Sclerosis Platform. MS – Fact Sheet 2011. Disponível em:http://www.emsp.org/projects/ms-id/160-ms-barometer-2011. Último acesso em maio de 2012.
6. Popescu V. et al; on behalf of the MAGNIMS Study Group. Brain atrophy and lesion load predict long term disability in multiple sclerosis. J Neurol Neurosurg Psychiatry. 2013 Mar 23.
7. Sormani M.P. & Bruzzi P. MRI lesions as a surrogate for relapses in multiple sclerosis: a meta-analysis of randomised trials. Lancet Neurol. 2013 Jul;12(7):669-76.
8. Lublin F.D., Baier M., Cutter G. E ect of relapses on development of residual de¬cit in multiple sclerosis.
9. Neurology. 2003;61(11):1528-1532.Site da National MS Society. Disponível emhttp://www.nationalmssociety.org/Symptoms-Diagnosis/MS-Symptoms/. Último acesso em março de 2015.
10. Site Neurology.org. Disponível em http://www.neurology.org/content/84/14_Supplement/P3.277. Último acesso em 14 de julho de 2015.
1. Miller DH, Barkhof F, Frank JA, Parker GJ, Thompson AJ. Measurement of atrophy in multiple sclerosis: pathological basis, methodological aspects and clinical relevance. Brain. 2002 Aug;125(Pt 8):1676–95. Review.
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7. Sormani M.P. & Bruzzi P. MRI lesions as a surrogate for relapses in multiple sclerosis: a meta-analysis of randomised trials. Lancet Neurol. 2013 Jul;12(7):669-76.
8. Lublin F.D., Baier M., Cutter G. E ect of relapses on development of residual de¬cit in multiple sclerosis.
9. Neurology. 2003;61(11):1528-1532.Site da National MS Society. Disponível emhttp://www.nationalmssociety.org/Symptoms-Diagnosis/MS-Symptoms/. Último acesso em março de 2015.
10. Site Neurology.org. Disponível em http://www.neurology.org/content/84/14_Supplement/P3.277. Último acesso em 14 de julho de 2015.